quarta-feira, 16 de setembro de 2009

3º Ano- Orações subordinadas- apostila

ORAÇÕES SUBORDINADAS ADJETIVAS
Preciso de alguém,
Que me olhe nos olhos quando falo.
Que ouça minhas tristezas e neuroses com paciência.
E, ainda que não compreenda, respeite os meus sentimentos.
Preciso de alguém, que venha brigar ao meu lado sem precisar ser
convocado; alguém Amigo o suficiente para dizer-me as verdades que
não quero ouvir, mesmo sabendo que posso odiá-lo por isso.
Nesse mundo de céticos, preciso de alguém que creia, nessa coisa
Misteriosa, desacreditada, quase impossível: a Amizade.
Que teime em ser leal, simples e justo, que não vá embora se algum dia
Eu perder o meu ouro e não for mais a sensação da festa.
Preciso de um amigo que receba com gratidão o meu auxílio, a minha mão estendida.
Mesmo que isto seja muito pouco para suas necessidades.
Preciso de um amigo que também seja companheiro, nas farras e pescarias, nas guerras e alegrias, e que no meio da tempestade, grite em coro comigo: “ Nós ainda vamos rir muito disso tudo” e ria muito.
Não pude escolher aqueles que me trouxeram ao mundo, mas posso escolher meu amigo.
E nessa busca empenho a minha própria alma, pois com uma amizade, verdadeira, a vida se torna mais simples, mais rica, mais bela...
(Charles Chaplin)

ATIVIDADES PROPOSTAS
1- A oração subordinada adjetiva funciona como adjetivo de um termo anterior isolado ou presente em uma oração principal. Com base nessa informação, responda se há oração subordinada adjetiva no texto acima. Justifique sua resposta.
2- Sabendo que a função sintática dessas orações é de adjetivo, responda qual a intenção do autor em usá-las no texto? O que ele pretendia com isso?
3- De que tipo de pessoa o autor não precisa? Justifique sua resposta utilizando estruturas retiradas do texto.
4- Dos itens apontados pelo autor, qual você considera mais importante? Justifique.
5- As orações subordinadas adjetivas são, geralmente, introduzidas pelos pronomes relativos: que, onde, o qual ( a qual, os qual, as quais), cujo(a), cujo(s), cuja(s), quem e quanto. Dentre esses pronomes, surgem dúvidas freqüentes quando, na frase, aparece o termo “que”, pois, nem sempre ele será pronome relativo e, consequentemente, nem sempre estará iniciando oração subordinada adjetiva. Para sanar essa dúvida, você pode tentar trocar o “que” por o(a) qual ou o(a)(s) quais. Caso a troca seja possível, ou seja, não origine uma frase estranha, o “que” será pronome relativo. De posse dessas informações, analise os quês da seguinte frase retirada do texto e veja se classificam-se como pronomes relativos:
“ alguém amigo o suficiente para dizer-me as verdades que não quero ouvir, mesmo sabendo que posso odiá-lo por isso”.
6- A oração subordinada adjetiva classifica-se em restritiva ou explicativa. A subordinada adjetiva restritiva restringe, delimita ou particulariza um termo anterior e, na escrita, liga-se a esse termo sem vírgulas. Já a subordinada adjetiva explicativa informa algo já conhecido pelo interlocutor, explica, generaliza ou universaliza o sentido do termo anterior e liga-se a ele utilizando vírgulas. Com base nessa informações, responda às questões abaixo:
a) As frases a seguir apresentam uma diferença sintática que provoca uma diferença de sentido. Explique que diferença de sentido é essa.

I- Os homens, que têm seu preço, são fáceis de corromper.
II- Os homens que têm seu preço são fáceis de corromper.
III- Recebi uma carta de minha irmã, que está morando em Salvador.
IV- Recebi uma carta de minha irmã que está morando em Salvador.




ORAÇÕES SUBORDINADAS ADVERBIAIS

Leia o texto para responder ás questões.

EMBORA SEM NÁUSEA

Jantava com a amante em restaurantes espelhados. Mal acabava o maitrê de flambar a sobremesa, ia ele se trancar no banheiro. Com a mão metida funda na garganta, vomitava vermelhas lagostas, sangüíneos molhos, e as labaredas do conhaque.
Depois ia para casa, jantar com a esposa.
Deitava com a amante em espelhados motéis. Mal corria a água da ducha, já ele se trancava no banheiro. Com a mão metida funda na garganta, vomitava os louros cachos, as louras coxas, as labaredas da amante.
Depois, ia para casa, deitar com a esposa.
( Marina Colasanti)


a) As orações “jantar com a esposa” e “ deitar com a esposa” estabelecem que tipo de relação com as orações anteriores?
b) As orações que exprimem intenções, finalidades, são chamadas de orações subordinadas adverbiais finais. Essas circunstâncias são normalmente expressas pela conjunção para e pela locução conjuntiva a fim de. Reconstrua o segundo e o quarto parágrafos utilizando esses elementos conectivos.
c) O título do texto possui um valor de concessão. A oração que expressa esse sentido é chamada de oração subordinada adverbial concessiva. A concessão prepara o leitor para receber uma oração oposta ao que está expresso na oração principal, por exemplo, em : “Embora o aluno tivesse estudado muito para a prova, não tirou boa nota.” A oração grifada já antecipa que o resultado do aluno, na prova, não foi positivo. Ela se opõe ao fato expresso na oração “ não tirou boa nota”. Com base nessas informações, explique qual é a relação de concessão entre o título e entre o que está expresso no corpo do texto. Justifique.
d) As orações grifadas em “ Mal acabava o maitrê de flambar a sobremesa, ia ele se trancar no banheiro” e “ Mal corria a água da ducha, já ele se trancava no banheiro” indicam que tipo de circunstância?
e) Essas orações são chamadas de orações subordinadas adverbiais temporais e, nesse caso, revelam uma preocupação do personagem masculino em relação ao tempo. Por quê? Justifique sua resposta.
f) Por que os verbos utilizados são jantava, acabava, ia, vomitava, deitava, corria, trancava e não jantou, acabou, foi , vomitou, deitou, correu e trancou? O que a escolha dos tempos verbais revelam sobre o comportamento do homem?

OBSERVAÇÃO: as descrições nem sempre são gratuitas, muitas vezes elas apresentam-se carregadas de intenções e podem estar querendo declarar, mostrar algo de maneira indireta. Cabe ao leitor deduzir, perceber, o que se quer transmitir. Assim, observá-las é de extrema importância.

g) Durante todo o texto, o personagem masculino de desloca em, basicamente, duas situações. Em qual delas há descrições? Justifique sua resposta apontando tais descrições no texto.
h) O que essas descrições pretendem mostrar?
i) A cor vermelha é bastante explorada no texto. Ou ela aparece qualificando lagostas , ou é presentificada nas imagens sangüíneos ou labaredas. Qual é a importância dessa cor para a mensagem contida no texto? Ou melhor, o que ela evoca?
j) É correto afirmar que “O autor, ao não caracterizar em momento algum a amante, tem uma finalidade: pôr em evidencia o objetivo do personagem masculino em mantê-la em segredo tanto para a esposa quanto para o interlocutor”? Justifique.
k) Por que a única personagem a receber descrição é a amante? Encontre uma justificativa para este fato considerando todo o texto.
l) O texto é composto por quatro parágrafos. Considerando conteúdo e forma, justifique a diferença de extensão existente entre eles.

Leia o texto para responder às questões:
Sem que de nada tivesse adiantado o Titanic

Pintava a casa. Todos os dias, depois do trabalho, pegava lata e pincel, arrastava a escada para junto da parede e retomava o serviço iniciado tantos anos antes.
“ Uma casa é como um navio” sentenciava cheio de sabedoria. “ Quando a gente acaba de pintar um lado, o outro já está pedindo tinta”.
E à noite, na cama, virando-se para dormir, dizia para a mulher sobre a felicidade da vida em comum. “ O importante é a manutenção”.
Pintado, conservado, o casamento ia singrando o tempo. Ele tão seguro ao leme, que não viu quando aquele homem manobrou para aproximar-se da sua mulher. Não se deu conta quando abordou. Não percebeu quando entrou em rumo de colisão. Não acreditou quando abalroou o amante quase invisível.
E continuava ao leme, sem acreditar, pintando e emassando, quando seu casamento, lentamente, naufragou.


• Singrando: v. singrar: navegar a vela, velejar.
• Abalroou: v. abalroar: ir de encontro a, chocar violentamente.

• Colisão: v. embate.

• Abordar: v. aproximar
a) Com relação ao texto anterior, assinale o que for correto:
01)A preocupação que o personagem masculino tem com a casa é a mesma que o narrador tem com o navio, pois é este mesmo quem diz: “ Quando a gente acaba de pintar um lado, o outro já está pedindo tinta”.
02)As figuras “ singrando”, “manobrou”, “ abordou”, abalroou”, “leme” e “ naufragou” remetem o leitor ao mesmo universo semântico.
04)No quarto parágrafo, há orações subordinadas que inserem fatos que representam perigo para o casamento do personagem principal.
08)O personagem masculino, como é muito preocupado com seu casamento, percebeu rapidamente quando sua relação com a esposa estava sendo ameaçada.
16)O personagem masculino preferiu não acreditar que seu casamento estava em crise, mesmo assim, percebendo a presença de outro homem, procurou averiguar os fatos a fim de evitar uma possível separação.
32)A figura “ Titanic” presente no título tem sentido conotativo; primeiro, de acordo com o texto, refere-se à casa; em um segundo momento, refere-se ao casamento. Isso fica claro, principalmente, se considerarmos a estrutura “ quando seu casamento, lentamente, naufragou”.

a) Na estrutura “ Ele tão seguro ao leme, que não viu quando aquele homem manobrou para aproximar-se da sua mulher ”, a oração subordinada, grifada na estrutura, estabelece com a anterior uma relação de quê?
b) Essa conseqüência, a qual marca o que chamamos de oração subordinada adverbial consecutiva, seria o principal motivo pelo qual o personagem masculino não fez nada para salvar seu casamento? Dê sua resposta de acordo com o que o texto revela sobre essa situação.
c) Na estrutura “ Ele tão seguro ao leme, que não viu quando aquele homem manobrou para aproximar-se da sua mulher ”, a oração grifada estabelece com a anterior uma relação de quê?

Leia o poema abaixo:

“ Se for para esquentar, que seja o sol.
Se for pra enganar, que seja o estômago.
Se for pra chorar, que se chore de alegria.
Se for pra mentir, que seja com a idade.
Se for pra roubar, que se roube um beijo.
Se for pra perder, que seja o medo.
Se for pra cair, que seja na gandaia.
Se existir guerra, que seja de travesseiros.
Se existir fome, que seja de amor.
Se for pra ser feliz, que seja o tempo todo!!!”

( Texto da Internet, recebido de e-mail)


a) No texto acima, as orações que iniciam os períodos expressam circunstância de quê?
b) Com a ajuda dessas orações, chamadas de orações subordinadas adverbiais condicionais, que mensagem é transmitida no texto?



Quanto mais alimento conseguimos tirar da terra, menos terra iremos tirar da natureza. ( aula 09)

Legenda:

Por mais incrível que pareça, somente com uma agricultura mais produtiva o homem poderá manter intocadas as florestas e as terras virgens.
Tirando-se mais das áreas já cultivadas, não haverá necessidade de novos desmatamentos para atender a uma população que vem crescendo de forma vertiginosa.
Só para você ter uma idéia, dos 13 milhões de hectares da superfície sólida do planeta, cerca de 1,5 bilhão são utilizados como terrenos de cultivo. E se não fossem os defensivos, somente hoje seriam necessários 1 bilhão de hectares, para alimentar a humanidade.
E essa é justamente a missão da Agrevo, uma empresa da Hoechst e Schering que nasceu num momento em que a natureza não podia mais ser desrespeitada e em que a necessidade de se produzir alimentos em maior quantidade se tornava igualmente sério e premente.
Presente em todos os 70 países e contando com 8.000 colaboradores, a Agrevo mantém 3 avançados centros de pesquisa onde 1.500 cientistas e técnicos desenvolvem toda a base de seu trabalho: proteger as plantas e a saúde pública.
Através de uma variada gama de defensivos agrícolas e grandes invenções para suas novas soluções baseadas na biologia, na engenharia genética, manejo integrado de pragas e no tratamento de sementes, a Agrevo não só contribuiu para uma cada vez maior produção de alimentos, mas também para que a superfície da terra não sofra mudanças.
A Agrevo sabe que ainda há muito por fazer nesse campo. Assim como sabe que, quanto mais ela trabalhar, mais e mais as florestas continuarão alimentando os nossos pulmões.

Agrevo. Agricultura em evolução.


a) com relação ao texto anterior, explique qual o tipo de relação existente entre as orações “ Quanto mais alimento conseguimos tirar da terra, menos terra iremos tirar da natureza”.
b) Qual é a proposta da Agrevo para proteger a natureza?




Mulheres são como estrelas, têm brilho próprio. Mas adoram uma luz extra.







a) O autor da propaganda estabelece que tipo de relação entre as mulheres e as estrelas?
b) Esse tipo de oração é chamada de oração subordinada adverbial comparativa e introduz, no texto, conhecimentos de uma disciplina específica. Que disciplina e que conhecimentos são esses?
c) Nessa comparação, a informação que há sobre as estrelas é correta. Justifique.
d) Qual é o objetivo de usar a oração coordenada adversativa? Que função semântica ela tem no texto publicitário?
02) Como vimos, na propaganda da H. Stern, há uma oração subordinada adverbial comparativa, ou melhor, uma oração que estabelece uma comparação em relação a um elemento da oração principal. Na oração comparativa, é comum o verbo ser o mesmo da oração com a qual se relaciona (oração principal) e, por isso, é comum também ele ficar subentendido. Observe o anúncio “ Mulheres são como estrelas (são), têm brilho próprio”. Além disso, geralmente, essas orações são introduzidas pelas locuções conjuntivas como, que, do que, assim como, (tanto) quanto. Apesar da apresentação dessas conjunções, é importante o aluno não esquecer de que interessante é perceber as relações semânticas existentes entre
orações, pois isso dispensa qualquer tentativa de se querer decorar algo como se isso fosse garantia de conhecimento lingüístico.

a) Com base nas afirmações feitas acima, analise a conjunção como nas seguintes situações abaixo. Reflita e responda que circunstâncias elas expressam:
I- “ Como queria ser eternizado, em importante estátua eqüestre, que do alto de um pedestal dominasse a cidade, o ditador mandou chamar o melhor escultor do país e, durante semanas, posou, devidamente, num cavalo”. ( Marina Colasanti- texto adaptado)
II- “ Muitas mudanças no Estatuto do Idoso foram efetivadas como previram os líderes dos partidos interessados nesse assunto”.
b) Orações que provocam um determinado fato, como, por exemplo, na estrutura I acima, são chamadas orações subordinadas adverbiais causais. Já as que exprimem fatos em acordo com algo presente na oração principal, como a do item II, são chamadas de orações subordinadas adverbiais conformativas. Com base nisso, responda: qual a importância das informações fornecidas sobre orações adverbiais feitas anteriormente, ou melhor, qual a relação delas com esse exercício?
c) Observe a frase “ Como queria ser eternizado, em importante estátua eqüestre, que do alto de um pedestal dominasse a cidade, o ditador mandou chamar o melhor escultor do país e, durante semanas, posou, devidamente, num cavalo”. Há alguma maneira de manter a circunstância de causa sem usar nenhuma conjunção? Reflita sobre essa pergunta. Se houver uma maneira, transcreva-a.

Nova Regra da Língua Portuguesa

O que muda com o acordo ortográfico

Alfabeto - ganha três letras
Antes
23 letras 26 letras: entram k, w e y
Depois
Trema - desaparece em todas as palavras
Antes
Freqüente, lingüiça, agüentar
* Fica o acento em nomes como Müller
Frequente, linguiça, aguentar
Depois
Acentuação 2 - some o acento no i e no u fortes depois de ditongos (junção de duas vogais), em palavras paroxítonas
Antes
Baiúca, bocaiúva, feiúra
* Se o i e o u estiverem na última sílaba, o acento continua como em: tuiuiú ou Piauí
Baiuca, bocaiuva, feiura
Depois
Observação: as demais regras de acentuação permanecem as mesmas
Acentuação 5 - some o acento agudo no u forte nos grupos gue, gui, que, qui, de verbos como averiguar, apaziguar,
arguir, redarguir, enxaguar
Antes
Averigúe, apazigúe, ele argúi, enxagúe você Averigue, apazigue, ele argui, enxague você
Depois
Acentuação 4 - some o acento diferencial
Antes
Pára, péla, pêlo, pólo, pêra, côa
* Não some o acento diferencial em pôr (verbo) / por (preposição) e pôde (pretérito) / pode (presente). Fôrma, para diferenciar de forma, pode receber
acento circunflexo
Para, pela, pelo, polo, pera, coa
Depois
Acentuação 1 - some o acento dos ditongos abertos éi e ói das palavras paroxítonas (as que têm a penúltima
sílaba mais forte)
Antes
Européia, idéia, heróico, apóio, bóia, asteróide, Coréia,
estréia, jóia, platéia, paranóia, jibóia, assembléia
* Herói, papéis, troféu mantêm o acento (porque têm a última sílaba mais forte)
Europeia, ideia, heroico, apoio, boia, asteroide, Coreia,
estreia, joia, plateia, paranoia, jiboia, assembleia
Depois
Hífen - veja como ficam as principais regras do hífen com prefixos:
Prefixos
Agro, ante, anti, arqui, auto,
contra, extra, infra, intra, macro,
mega, micro, maxi, mini, semi,
sobre, supra, tele, ultra...
Quando a palavra seguinte começa
com h ou com vogal igual à última
do prefixo: auto-hipnose, auto-observação,
anti-herói, anti-imperalista,
micro-ondas, mini-hotel
Em todos os demais casos:
autorretrato, autossustentável, autoanálise,
autocontrole, antirracista, antissocial,
antivírus, minidicionário, minissaia,
minirreforma, ultrassom
Hiper, inter, super Quando a palavra seguinte
começa com h ou com r:
super-homem, inter-regional
Em todos os demais casos:
hiperinflação, supersônico
Sub Quando a palavra seguinte
começa com b, h ou r:
sub-base, sub-reino, sub-humano
Em todos os demais casos:
subsecretário, subeditor
Vice Sempre: vice-rei, vice-presidente
Em todos os demais casos:
pansexual, circuncisão
Pan, circum Quando a palavra seguinte
começa com h, m, n ou vogais:
pan-americano, circum-hospitalar
Usa hífen Não usa hífen
Acentuação 3 - some o acento circunflexo das palavras terminadas em êem e ôo (ou ôos)
Antes
Crêem, dêem, lêem, vêem, prevêem, vôo, enjôos Creem, deem, leem, veem, preveem, voo, enjoos
Depois

1º Ano- Figuras de Linguagem

FIGURAS DE LINGUAGEM- 2º TRIMESTRE

Profª: Adriana
Aluno(a):.............................................................................. .1 Ano.........

Antítese é uma figura de linguagem (figuras de estilo) que consiste na exposição de idéias opostas. Ocorre quando há uma aproximação de palavras ou expressões de sentidos opostos. Esse recurso foi especialmente utilizado pelos autores do período Barroco. O contraste que se estabelece serve, essencialmente, para dar uma ênfase aos conceitos envolvidos que não se conseguiria com a exposição isolada dos mesmos. É uma figura relacionada e muitas vezes confundida com o paradoxo. Várias antíteses podem ser feitas através de Amor e Ódio, Sol e Chuva, Paraíso e Inferno, Deus e Diabo.
A antítese é a figura mais utilizada no Barroco, estilo de época conhecido como arte do conflito, em que também há presença de paradoxos, por apresentar oposições nas idéias expressas.

Exemplos
Nasce o Sol e não dura mais que um dia; Depois da Luz se segue à noite escura; Em tristes sombras morre a formosura, Em contínuas tristezas e alegria.

Sendo antítese, as palavras “luz e noite escura” e “tristezas e alegrias”.

Antonomásia é uma figura de linguagem caracterizada pela substituição de um nome por uma expressão que lembre uma qualidade, característica ou facto que de alguma forma o identifique.
É uma variante da metonímia, ou seja a substituição de um nome por outro que com ele tenha afinidades semânticas. Esta substituição resulta comumente do património pessoal ou da profissão do indivíduo em causa, que devem ser conhecidos, ou pelo menos facilmente deduzíveis, pelo receptor de modo a que a substituição seja compreendida e provoque o efeito desejado. Bastante utilizadas em literatura, a maioria das antonomásias são espontâneas, sendo geradas através de associações baseadas na actualidade. A sua utilização poderá ter três motivos; embelezar o texto, reforçar definições, ou evitar a repetição. As mais vulgarizadas ou conhecidas tornam-se quase míticas ao definirem uma característica ou atributo num indivíduo. a comparação a Bondade na Madre Teresa ou a Abnegação em São Francisco de Assis são disso bons exemplos.
Outros Exemplos:
• O filho de Deus (Jesus Cristo)
• O rei da guitarra (Jimi hendrix)
• O rei das poesias (Jim Morrison)
Catacrese é a figura de linguagem que consiste na utilização de uma palavra ou expressão que não descreve com exatidão o que se quer expressar, mas é adotada por não haver palavra apropriada - ou a palavra apropriada não ser de uso comum; são como gírias do dia-a-dia, expressões usadas para facilitar a comunicação. Estabelecem comparação às situações em que são atribuídas, qualidades de seres vivos, a seres inanimados. Exemplos comuns são: "os pés da mesa", "marmelada de laranja", "vinagre de maçã", "embarcar no avião", "cabeça do alfinete", "braço de rio", "dente de alho" etc. Consiste assim em uma metáfora de uso comum, deixando de ser considerada como tal.Consiste também em dar à palavra uma significação que ela não tem, por falta de termo próprio.
Catacrese:é o emprego de palavras fora do seu significado real; entanto, devido ao uso contínuo, não mais percebe que estão sendo empregadas no sentido figurado:

O pé de mesa estava quebrado.
Não deixe de colocar dois dentes de alho na comida.
Quando embarquei no avião, fui dominado pelo o medo.
A cabeça do prego está torta.

Comparação: É a aproximação de dois termos entre os quais existe alguma relação de semelhança. A comparação, porém, é feita por meio de um conectivo e busca realçar determinada qualidade do meio termo.(como,tal.qual,assim,quanto etc.) exemplo: "O mar canta como um canário". outro exemplo com : A cidade, adormecida, parecia um cemitério sem fim.

O disfemismo (ou cacofemismo) é uma figura de estilo (figura de linguagem) que consiste em empregar deliberadamente termos ou expressões depreciativas, sarcásticas ou chulas para fazer referência a um determinado tema, coisa ou pessoa, opondo-se assim, ao eufemismo. Expressões disfêmicas são freqüentemente usadas para criar situações de humor.
Um exemplo de disfemismo é:

* Morrer: "comer capim pela raiz", "vestir o paletó de madeira", "ir para a terra dos pés-juntos", "bater as botas" etc.
• Urinar: "tirar água do joelho", "mudar a água às azeitonas", etc.

Eufemismo é uma figura de estilo que emprega termos mais agradáveis para suavizar uma expressão. Consiste na visualização de uma expressão.
É necessário ressaltar que em uma série de materiais didáticos há exemplos inadequados de eufemismo, principalmente no que se refere à morte: "Ir para a terra dos pés juntos", "Comer capim pela raiz" e "Vestir o paletó de madeira" são comuns nesses livros.
Expressões populares têm um caráter cômico, o que pode atender em parte a intenção do eufemismo. Entretanto, seu uso em situações de grande impacto como a morte beira o grotesco e a função dessa figura de linguagem se perde. Um exemplo mais adequado é dizer que o indivíduo "partiu", ou que "deixou esse mundo".
Exemplos:
• Você faltou com a verdade. (Em lugar de mentiu)
• Ele entregou a alma a Deus. (Em lugar de: Ele morreu)
• Nos fizeram varrer calçadas, limpar o que faz todo cão... (Em lugar de fezes)
Gradação é uma figura de estilo, relacionada com a enumeração, onde são expostas determinadas idéias de forma crescente (em direção a um clímax) ou decrescente (anticlímax).
Exemplos:
* Tudo começou no meu quarto, onde concebi as idéias que me levariam a dominar o bairro, a cidade, o país, o mundo... E a desejar o próprio Universo...
* Meu caro, para mim, você é um simples roedor. Que digo? Um verme... Menos que isso! Uma bactéria! Um vírus!...
* "O primeiro milhão possuído excita, acirra, assanha a gula do milionário." ( Olavo Bilac)

Mas muitas vezes a gradação pode acontecer desta forma : no começo do texto se põe uma coisa e no final termina a frequência.

"Um coração chegando de desejos
Latejando,batendo,restrugindo..." (Vicente de Carvalho)

(progressão ascendente)

"Ó não guardes, que a madura idade
te converta essa flor, essa beleza,
em terra, em cinzas, em pó, em sombra, em nada." (Gregório de Matos)
Hipérbato (do grego hyperbaton, que ultrapassa) também conhecido como inversão, é uma figura de linguagem que consiste na troca da ordem direta dos termos da oração (sujeito, verbo, complementos, adjuntos) ou de nomes e seus determinantes.
Exemplos:
1. "Aquela triste e leda madrugada" (Luís Vaz de Camões)
2. “Não a Ti, Cristo, odeio ou te não quero.” (Fernando Pessoa)
3. "Do que a terra mais garrida / Teus risonhos, lindos campos têm mais flores" (Osório Duque Estrada, em Hino Nacional Brasileiro.

Hipérbole ou auxese é a figura de linguagem que ocorre quando há exagero
intencional numa idéia expressa, de modo a acentuar de forma dramática aquilo que se quer dizer, transmitindo uma imagem ampliada do real.
É frequente na linguagem corrente, como quando se diz: "Já te avisei mais de mil vezes, para não voltares a falar-me alto!".
Essa é a figura de linguagem, como dizia "Mário Quintana" preferida pelas mães, pois expressa exatamente a quantidade de aborrecimento causado pelos filhos.
Consiste no exagero. está errado considerar isso uma hipérbole: Ela é muito bonita! Isso realmente pode acontecer, então não é uma hipérbole.

Alguns exemplos de expressões que contém hipérboles, colhidos da literatura:

* "Rios te correrão dos olhos, se chorares!" ( Olavo Bilac)[3]
• "Um quarteirão de perucas para Clodovil Pereira †(2009)". (José Cândido Carvalho)

A ironia é um instrumento de literatura ou de retórica que consiste em dizer o contrário daquilo que se pensa, deixando entender uma distância intencional entre aquilo que dizemos e aquilo que realmente pensamos. Na Literatura, a ironia é a arte de gozar com alguém ou de alguma coisa, com vista a obter uma reacção do leitor, ouvinte ou interlocutor.
Ela pode ser utilizada, entre outras formas, com o objetivo de denunciar, de criticar ou de censurar algo. Para tal, o locutor descreve a realidade com termos aparentemente valorizantes, mas com a finalidade de desvalorizar.
figura de estilo (ou tropo linguístico), em que há a substituição de um termo por outro, criando-se uma dualidade de significado.
"Amor é fogo que arde sem se ver" — Luís de Camões

O termo fogo mantém seu sentido próprio - desenvolvimento simultâneo de calor e luz, que é produto da combustão de matérias inflamáveis, como, por exemplo, o carvão - e possui sentidos figurados - fervor, paixão, excitação, sofrimento etc.
Didaticamente, pode-se considerá-la como uma comparação que não usa conectivo (por exemplo, "como"), mas que apresenta de forma literal uma equivalência que é apenas figurada.
Meu coração é um balde despejado — Fernando Pessoa
Chama-se de metonímia ou transnominação uma figura de linguagem que consiste no emprego de um termo por outro, dada a relação de semelhança ou a possibilidade de associação entre eles. Formas de usos:

* Efeito pela causa:

Sócrates tomou a morte. (O efeito é a morte, a causa é o veneno).

* Causa pelo efeito:

Por favor, não fume dentro de casa: sou alérgica a cigarro. (O cigarro é a causa: a fumaça, o efeito. Podemos ser alérgicos a fumaça, mas não ao cigarro).

* Marca pelo produto:

O meu irmãozinho adora danone.(Danone é a marca de um iogurte; o menino gosta de iogurte)

* Autor pela obra:

Lemos Machado de Assis por interesse. (Ninguém, na verdade, lê o autor, mas as obras dele em geral.)

* Continente pelo conteúdo:

Bebeu o cálice da salvação. (Ninguém engole um cálice, mas sim a bebida que está nele.)

* Possuidor pelo possuído:

Ir ao barbeiro. (O barbeiro trabalha na barbearia, aonde se vai - de fato, ninguém vai a uma pessoa, mas ao local onde ela está).

* Matéria pelo objeto:

Quem por ferro fere... (ferro substitui, aqui, espada,por exemplo)

* O lugar pela coisa:

Uma garrafa de Porto. (Porto é o nome da cidade conotada com a bebida - mas não é a cidade que fica na garrafa, mas sim a bebida).

* O instrumento pela causa ativa:

Sou bom de garfo. (em substituição de "alguém que come bastante").

* A coisa pela sua representação = (sinal pela coisa significada):

És a minha âncora. (em substituição de "segurança").

* Parte pelo todo:

A mão empurrou o carrinho do bebê. (na verdade quem empurra o carrinho é a pessoa e não só a mão).

* Instituição pelo que representa:

A igreja publicou seu novo livro (quem publica é um editora ou alquem)

* Causa primaria pela secundaria:

O engenheiro construiu mal o edificio (o engenheiro não constroi só planeja)

* O inventor pelo invento:

Ele comprou um Ford (obseve que estamos falando do criador não da marca)

* O concreto pelo abstrato(e vice-versa):

A velhice deve ser respeitada(não é a velhice e sim os velhos)

* Gênero pela espécie:

Os mortais são capazes de tudo

* O singular pelo plural(vice-versa):

O brasileiro é um apaixonado pelo futebol(não é só um brasileiro e sim todos eles)

* Determinado pelo inderteminado:

* A materia pelo objeto:

Tinem os cristais (não estamos nos refirindos aos cristais e sim aos copos)

* A forma pela materia:

Ele cuida com carinho da redonda

* Individuo pelas classes:

Odiava ser o judas da sala.
Onomatopeia é uma figura de linguagem na qual se imita um som com um fonema ou palavra. Ruídos, gritos, canto de animais, sons da natureza, barulho de máquinas, o timbre da voz humana fazem parte do universo das onomatopeias. Por exemplo, para os índios tupis tak e tatak significam dar estalo ou bater e tek é o som de algo quebrando. As onomatopeias, em geral, são de entendimento universal. Geralmente, as onomatopeias são usadas em histórias em quadrinhos.
Exemplos
* Aaai! – grito
* Ah! – grito
* Ah! Ah! Ah! – riso
* Au Au - latido
* Bang! – tiro
* Buáá! – choro
* Clap! clap! – palmas
* Grrr! – grunhido
*Meow! miau! – miado
Um paradoxo é uma declaração aparentemente verdadeira que leva a uma contradição lógica, ou a uma situação que contradiz a intuição comum. Em termos simples, um paradoxo é "o oposto do que alguém pensa ser a verdade".

A personificação ou prosopeia (prosopéia ou prosopopéia, no Brasil) é uma figura de estilo que consiste em atribuir a objetos inanimados ou seres irracionais sentimentos ou ações próprias dos seres humanos.

Dizer "está um dia triste" implica a atribuição de um sentimento a uma entidade que, de fato, nunca poderá estar triste mas cujas características (céu nublado, frio, etc) poderão conotar tristeza para o ser humano.

Nas fábulas, a personificação toma um sentido simbólico, onde a atribuição de determinadas características humanas a seres irracionais segue determinadas regras determinadas pelo contexto sócio-cultural do autor: os leões passam a ser corajosos (ou fanfarrões, como na fábula do leão e do rato, de La Fontaine); as raposas tornam-se astutas (ou desdenhosas); as características dos materiais passam a conotar o caráter humano ou o seu estatuto em termos de poder (forte ou frágil, como na fábula da panela de ferro e da panela de barro).Exemplos de personificação:
"O Gato disse ao Pássaro que tinha uma asa partida."
"O Vento suspirou e o Sol também."
"A Cadeira começou a gritar com a Mesa."

Sinestesia (do grego συναισθησία, συν- (syn-) "união" ou "junção" e -αισθησία (-esthesia) "sensação") é a relação de planos sensoriais diferentes: Por exemplo, o gosto com o cheiro, ou a visão com o olfato. O termo é usado para descrever uma figura de linguagem e uma série de fenômenos provocados por uma condição neurológica.
Sinestesia é uma figura de estilo ou semântica que relaciona planos sensoriais diferentes. Tal como a metáfora ou a comparação por símile, são relacionadas entidades de universos distintos.Exemplos de sinestesias:
* Indefiníveis músicas (audição), supremas harmonias de cor (visão) e de perfume (olfato).
* Horas do ocaso, trêmulas, extremas, requiem do Sol que a dor da luz resume.
* "Os carinhos (tato) de Godofredo não tinham mais o gosto (paladar) dos primeiros tempos." (Autran Dourado)
* "O brilho macio do cetim." (visão + tato)
* "O doce afago materno." (paladar + tato)
* "Verde azedo." (visão + paladar)

1º Ano-Sermão da Sexagésima- Atividade Proposta

Fazer pouco fruto a palavra de Deus no Mundo, pode proceder de um de três princípios: ou da parte do pregador, ou da parte do ouvinte, ou da parte de Deus. Para uma alma se converter por meio de um sermão, há-de haver três concursos: há-de concorrer o pregador com a doutrina, persuadindo; há-de concorrer o ouvinte com o entendimento, percebendo; há-de concorrer Deus com a graça, alumiando. Para um homem se ver a si mesmo, são necessárias três coisas: olhos, espelho e luz. Se tem espelho e é cego, não se pode ver por falta de olhos; se tem espelho e olhos, e é de noite, não se pode ver por falta de luz. Logo, há mister luz, há mister espelho e há mister olhos. Que coisa é a conversão de uma alma, senão entrar um homem dentro em si e ver-se a si mesmo? Para esta vista são necessários olhos, é necessária luz e é necessário espelho. O pregador concorre com o espelho, que é a doutrina; Deus concorre com a luz, que é a graça; o homem concorre com os olhos, que é o conhecimento. Ora suposto que a conversão das almas por meio da pregação depende destes três concursos: de Deus, do pregador e do ouvinte, por qual deles devemos entender que falta? Por parte do ouvinte, ou por parte do pregador, ou por parte de Deus?
Primeiramente, por parte de Deus, não falta nem pode faltar. Esta proposição é de fé, definida no Concílio Tridentino, e no nosso Evangelho a temos.[...]
Sendo, pois, certo que a palavra divina não deixa de frutificar por parte de Deus, segue-se que ou é por falta do pregador ou por falta dos ouvintes. Por qual será? Os pregadores deitam a culpa aos ouvintes, mas não é assim. Se fora por parte dos ouvintes, não fizera a palavra de Deus muito grande fruto, mas não fazer nenhum fruto e nenhum efeito, não é por parte dos ouvintes. Provo.
Os ouvintes ou são maus ou são bons; se são bons, faz neles fruto a palavra de Deus; se são maus, ainda que não faça neles fruto, faz efeito.[...] a palavra de Deus é tão fecunda, que nos bons faz muito fruto e é tão eficaz que nos maus ainda que não faça fruto, faz efeito; lançada nos espinhos, não frutificou, mas nasceu até nos espinhos; lançada nas pedras, não frutificou, mas nasceu até nas pedras. Os piores ouvintes que há na Igreja de Deus, são as pedras e os espinhos. E porquê? -- Os espinhos por agudos, as pedras por duras. Ouvintes de entendimentos agudos e ouvintes de vontades endurecidas são os piores que há. Os ouvintes de entendimentos agudos são maus ouvintes, porque vêm só a ouvir sutilezas, a esperar galantarias, a avaliar pensamentos, e às vezes também a picar a quem os não pica.[...] Mas os de vontades endurecidas ainda são piores, porque um entendimento agudo pode ferir pelos mesmos fios, e vencer-se uma agudeza com outra maior; mas contra vontades endurecidas nenhuma coisa aproveita a agudeza, antes dana mais, porque quanto as setas são mais agudas, tanto mais facilmente se despontam na pedra.[...]. E com os ouvintes de entendimentos agudos e os ouvintes de vontades endurecidas serem os mais rebeldes, é tanta a força da divina palavra, que, apesar da agudeza, nasce nos espinhos, e apesar da dureza nasce nas pedras.
Pudéramos argüir ao lavrador do Evangelho de não cortar os espinhos e de não arrancar as pedras antes de semear, mas de indústria deixou no campo as pedras e os espinhos, para que se visse a força do que semeava. É tanta a força da divina palavra, que, sem cortar nem despontar espinhos, nasce entre espinhos. É tanta a força da divina palavra, que, sem arrancar nem abrandar pedras, nasce nas pedras.[...]Tomai exemplo nessas mesmas pedras e nesses espinhos! Esses espinhos e essas pedras agora resistem ao semeador do Céu; mas virá tempo em que essas mesmas pedras o aclamem e esses mesmos espinhos o coroem.
Quando o semeador do Céu deixou o campo, saindo deste Mundo, as pedras se quebraram para lhe fazerem aclamações, e os espinhos se teceram para lhe fazerem coroa. E se a palavra de Deus até dos espinhos e das pedras triunfa; se a palavra de Deus até nas pedras, até nos espinhos nasce; não triunfar dos alvedrios hoje a palavra de Deus, nem nascer nos corações, não é por culpa, nem por indisposição dos ouvintes.
Supostas estas duas demonstrações; suposto que o fruto e efeitos da palavra de Deus, não fica, nem por parte de Deus, nem por parte dos ouvintes, segue-se por consequência clara, que fica por parte do pregador. E assim é. Sabeis, cristãos, porque não faz fruto a palavra de Deus? Por culpa dos pregadores. Sabeis, pregadores, porque não faz fruto a palavra de Deus? -- Por culpa nossa.
1- Logo no 1º parte o tema a ser desenvolvido: Por que a palavra de Deus faz pouco fruto. Como é comum em sermões, o orador faz várias perguntas e ele mesmo responde, como meio de conduzir o raciocínio do seu ouvinte. Que causas Vieira atribui ao pouco fruto da palavra de Deus, isto é, ao fato de a pregação religiosa conseguir tão poucos adeptos?
2-Vieira costuma desenvolver seus sermões com raciocínios complexos e lógicos, fazendo uso freqüente de metáforas, comparações, e alegorias. Aqui, ele constrói correspondências alegóricas, que podem ser assim esquematizadas:
Sempre é necessário: para converter uma alma:pregador – com a doutrina, persuadindo, ouvinte- com o entendimento, percebendo,
Deus- com a graça, iluminando. Para um homem se ver: olhos- espelho-luz.
Releia o 1º parágrafo e estabeleça as relações: a quem correspondem os elementos: olhos, espelho,luz?
3- Na busca de identificar o responsável pelo pouco fruto da palavra de Deus, o autor de imediato inocenta a Deus. Que argumento ele utiliza para isso?
4-Utilizando a alegoria do trigo, o autor afirma que, se a semente não vinga, quando semeada, tal fato não advém da qualidade da semente, mas dos espinhos e das pedras do solo. Traduza o significado dos elementos dessa alegoria: a) as sementes, b) os espinhos, c) as pedras.
5- Considerando as duas tendências do Barroco, qual delas predomina nesse sermão de Vieira? Por quê?

1º Ano- Concordância Nominal

Concordância nominal nada mais é que o ajuste que fazemos aos demais termos da oração para que concordem em gênero e número com o substantivo.
Teremos que alterar, portanto, o artigo, o adjetivo, o numeral e o pronome.
Além disso, temos também o verbo, que se flexionará à sua maneira, merecendo um estudo separado de concordância verbal.
REGRA GERAL: O artigo, o adjetivo, o numeral e o pronome, concordam em gênero e número com o substantivo.
- A pequena criança é uma gracinha.
- O garoto que encontrei era muito gentil e simpático.
CASOS ESPECIAIS: Veremos alguns casos que fogem à regra geral, mostrada acima.
a) Um adjetivo após vários substantivos
1 – Substantivos de mesmo gênero: adjetivo vai para o plural ou concorda com o substantivo mais próximo.
- Irmão e primo recém-chegado estiveram aqui.
- Irmão e primo recém-chegados estiveram aqui.
2 – Substantivos de gêneros diferentes: vai para o plural masculino ou concorda com o substantivo mais próximo.
- Ela tem pai e mãe louros.
- Ela tem pai e mãe loura.
3 – Adjetivo funciona como predicativo: vai obrigatoriamente para o plural.
- O homem e o menino estavam perdidos.
- O homem e sua esposa estiveram hospedados aqui.
b) Um adjetivo anteposto a vários substantivos
1 – Adjetivo anteposto normalmente: concorda com o mais próximo.
Comi delicioso almoço e sobremesa.
Provei deliciosa fruta e suco.
2 – Adjetivo anteposto funcionando como predicativo: concorda com o mais próximo ou vai para o plural.
Estavam feridos o pai e os filhos.
Estava ferido o pai e os filhos.
c) Um substantivo e mais de um adjetivo

1- antecede todos os adjetivos com um artigo.
Falava fluentemente a língua inglesa e a espanhola.
2- coloca o substantivo no plural.
Falava fluentemente as línguas inglesa e espanhola.
d) Pronomes de tratamento
1 – sempre concordam com a 3ª pessoa.
Vossa santidade esteve no Brasil.
e) Anexo, incluso, próprio, obrigado
1 – Concordam com o substantivo a que se referem.
As cartas estão anexas.
A bebida está inclusa.
Precisamos de nomes próprios.
Obrigado, disse o rapaz.
f) Um(a) e outro(a), num(a) e noutro(a)
1 – Após essas expressões o substantivo fica sempre no singular e o adjetivo no plural.
Renato advogou um e outro caso fáceis.
Pusemos numa e noutra bandeja rasas o peixe.
g) É bom, é necessário, é proibido
1- Essas expressões não variam se o sujeito não vier precedido de artigo ou outro determinante.
Canja é bom. / A canja é boa.
É necessário sua presença. / É necessária a sua presença.
É proibido entrada de pessoas não autorizadas. / A entrada é proibida.
h) Muito, pouco, caro
1- Como adjetivos: seguem a regra geral.
Comi muitas frutas durante a viagem.
Pouco arroz é suficiente para mim.
Comprei caro os sapatos.
2- Como advérbios: são invariáveis.

Comi muito durante a viagem.
Pouco lutei, por isso perdi a batalha.
Os sapatos estavam caros.
i) Mesmo, bastante
1- Como advérbios: invariáveis
Preciso mesmo da sua ajuda.
Fiquei bastante contente com a proposta de emprego.
2- Como pronomes: seguem a regra geral.
Seus argumentos foram bastantes para me convencer.
Os mesmos argumentos que eu usei, você copiou.
j) Menos, alerta
1- Em todas as ocasiões são invariáveis.
Preciso de menos comida para perder peso.
Estamos alerta para com suas chamadas.
k) Tal Qual
1- “Tal” concorda com o antecedente, “qual” concorda com o conseqüente.
As garotas são vaidosas tais qual a tia.
Os pais vieram fantasiados tais quais os filhos.
l) Possível
1- Quando vem acompanhado de “mais”, “menos”, “melhor” ou “pior”, acompanha o artigo que precede as expressões.
A mais possível das alternativas é a que você expôs.
Os melhores cargos possíveis estão neste setor da empresa.
Os piores situações possíveis são encontradas nas favelas da cidade.
m) Meio
1- Como advérbio: invariável.
Estou meio insegura.
2- Como numeral: segue a regra geral.
Comi meia laranja pela manhã.
n) Só
1- apenas, somente (advérbio): invariável
Só consegui comprar uma passagem.
2- sozinho (adjetivo): variável.
Estiveram sós durante horas.
Silepse de pessoa
Todos nesta sala somos gaúchos. Nesta frase, o verbo somos não concorda com o sujeito claro Todos, que é da 3ª pessoa, portanto, a concordância "normal" seria Todos nesta sala são gaúchos. O verbo concorda com a idéia nele implícita. O falante se inclui entre os gaúchos.
Para entender melhor este tipo de concordância, é preciso recordar uma regra que diz: Quando o sujeito for composto de pessoas diferentes (eu, tu, ele), do qual faça parte o EU, o verbo vai para a 1ª pessoa do plural. Exemplo: Tu, ele e eu fomos ao cinema ontem.
Logo, no exemplo acima, a idéia subentendida é o EU, que representa a pessoa que fala.
Silepse de número
O gaúcho é bravo e forte. Não fogem da luta.
O verbo fugir – fogem – não concorda com o sujeito o gaúcho, e sim com o que ele representa: os gaúchos.
Observação: Estamos ciente. Nesta frase, o sujeito é da primeira pessoa do plural (nós) e o predicativo é usado no singular, porque se trata de uma pessoa. É o que se chama de “plural de modéstia”. Em vez de o verbo ser empregado na 1ª pessoa do singular, é usado na 1ª pessoa do plural. Muito empregado por escritores e oradores, principalmente políticos, para evitar o tom individualista no discurso, expressando uma fala coletiva.
Silepse de gênero
Porto Alegre é linda. Vista daqui parece um jardim.
Nesse caso, os adjetivos linda e vista não concordam com o substantivo Porto Alegre, mas com a palavra cidade. Este tipo de silepse ocorre principalmente com:
Pronomes de tratamento: Vossa Senhoria foi taxativo em seu discurso.
Subentende-se neste exemplo que a pessoa representada pelo pronome Vossa Senhoria é do sexo masculino.
Com nomes de cidades: São Paulo está muito poluída.
O adjetivo poluída concorda com cidade, que está subentendida.
Com a expressão “a gente”: A gente é novo ainda.
O adjetivo novo não concorda com a gente, levando a entender que o falante é do sexo masculino.

A silepse é muito empregada na linguagem coloquial, mas grandes escritores também a utilizara
“Sobre a tristeOuro Preto o ouro dos astros chove.” – Olavo Bilac “Nuvens baixas e grossas ocultavam Ilhéus, vista dali em mar grande e livre.” – Adonias Filho. “A certa altura, a gente tem que estar cansado.” – Fernando Pessoa “Corria gente de todos os lados, e gritavam.” – Mário Barreto “O casal de patos nada disse, pois a voz das ipecas é só um sopro. Mas espadanaram, ruflaram e voaram embora.” – Guimarães Rosa. “Aliás todos os sertanejossomos assim.” – Raquel de Queirós “Ficamos por aqui, insatisfeitos, os seus amigos.” – Carlos Drummond de Andrade “Dizem que os cariocassomos pouco dados aos jardins públicos” – Macahdo de Assis “Esta gente já terá vindo? Parece que não. Saíram há um bom pedaço” - Machado de Assis “E os dois, ali no quarto, picamos em mil pedaços as trezentas páginas do livro.” - Paulo Setubal
Obs: desgastada pelo uso, a silepse não representa recurso expressivo da língua portuguesa, pelo menos no Brasil.